Com a morte de UMBERTO ECO é um pedaço de mim que se vai também. Desde "Como se faz uma tese", passando pelo "Pêndulo de Foucault" a "Em Nome da Rosa", há muitos anos que Umberto Eco estava presente nas minhas leituras, em especial aquela que deu origem a um dos filmes da minha vida, "Em Nome da Rosa" (na foto).
sábado, 20 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016
JÁ UNS PAIS NÃO PODEM IR GANHAR O SUSTENTO NUM CASINO... HÁ LOGO UM FILHO QUE CAI DE UM 21º ANDAR
Era improvável! Era extremamente improvável que uma criança de cinco anos sozinha numa casa acordasse a meio da noite, chamasse pelos pais e, não os encontrando, os fosse procurar em algum lugar. Não conseguindo abrir a porta da rua, era também muito improvável que abrisse uma janela e mais improvável ainda que essa janela ficasse num 21º andar e a criança, quiçá ensonada e em pânico, se debruçasse à janela e... o resto já se sabe!
Para aqueles pais - talvez encharcados em Vistos Gold - tudo isto era extremamente improvável! Até porque eles tinham saído à noite para ganhar o sustento da família, quem sabe até conseguir um pequeno montante para pagar a uma baby-sitter.
Estes pobres pais devem estar destroçados. Acredito que sim! O que lhes aconteceu não se deseja a ninguém. Coitados, terem que trabalhar de noite e verem-se obrigados a deixar a filha pequena sozinha em casa. Tenho pena deles, tenho muita pena deles, especialmente porque parece que estavam a ganhar umas massas no Casino e tiveram que deixar o jogo e sair antes de tempo. Que chatice!
Ninguém, mas mesmo ninguém deveria ser interrompido quando está a ganhar no Casino. Nem mesmo quando um filho cai de uma janela de um 21º andar no prédio mais luxuoso de Lisboa. Os polícias que os foram importunar deveriam levar com um processo disciplinar por interferirem nas "horas de sorte" do casal chinês!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
O que mais me admira é haver tão poucas mães a suicidarem-se com os filhos...
Mães que se matam com os filhos ou que matam os filhos começam a ser casos cada vez mais frequentes. Dantes noutros países, agora também em Portugal. E com estas tragédias surge um vasto campo para determinadas pessoas - algumas com muitas responsabilidades nestas coisas - debitarem palavreado e encenarem cenários, passe o pleonasmo...
Longe de ser psicólogo, é bom de notar que muitas mães conservam com os filhos o cordão umbilical que os ligava. Talvez por isso as mães que se suicidam com os filhos não sejam assim tão criminosas como a sociedade e a comunidade rapidamente as acusam.
Não há muitas notícias de pais que se suicidem com os filhos. Um pai não tem culpa de não ter um cordão umbilical mas pode ter outros cordões... e muitas vezes deveria tê-los, até porque se os tivesse provavelmente não aconteceriam estas tragédias de mães suicidas.
Onde há uma mãe, há um pai, e lá por vivermos numa sociedade machista, e neste caso concreto, não se deve ilibar alguém que apesar de estar ausente do crime pode ter responsabilidade moral.
As relações entre as pessoas não são o que eram até há poucas décadas. Muito menos nas cidades grandes. As pessoas perderam a identidade familiar e de comunidade. É uma expressão comum dizer isso, eu sei, mas é verdade. E sem o elo familiar e comunitário, as pessoas acabam por fragilizar e ligar-se a outras pessoas que se revelam (por vezes depressa demais) que não são as melhores companhias. E tudo se agrava quando as relações erradas produzem seres que não têm culpa nenhuma de serem depositados no centro de questiúnculas de irremediável resolução.
Estranho é sentir que determinadas causas provocam invariavelmente determinados efeitos. E quem já não se apercebeu que na presença de uma relação entre duas pessoas há algo ali que não funciona... ou que não vai funcionar por muito tempo. E o tempo acaba por dar razão: às vezes com ligeireza, mas a maior parte das vezes com violência, a qual pode chegar aos extremos que cada vez são mais frequentes na comunicação social, e, infelizmente, na vida das pessoas...
... por isso nisto tudo, o que mais me admira é haver tão poucas mães a suicidarem-se com os filhos...
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
EU TIVE UMA VEZ UM GATO QUE SE CHAMAVA PESSOA...
Eu tive uma vez um Gato
Que se chamava Pessoa
E era como o retrato
Perfeito de uma leoa,
Porque o gato não era gato
Era afinal uma gata
E miava como quem entoa
Uma cantilena felina,
Eu tive uma vez um Gato
Que se chamava Menina.
As saudades desse gato
Que afinal era uma gata
São tão grandes que magoa
E eu fico sempre grato
Quando um miar m’ arrebata
E me traz à lembrança
O meigar da minha Gata!
(jag)
GOSTO DE GATOS PORQUE OS GATOS OLHAM-ME NOS OLHOS
Tivemos alguns gatos em
casa dos meus pais. Poucos. Lembro-me da Menina e do Amarelo, ainda eu era
pequeno. O Amarelo porque era mesmo amarelo e vislumbro-o a escorregar nos braços da
minha irmã mais velha quando no-lo deram. A Menina era mais franzina e a
ideia que tenho dela era vê-la nos ombros da minha Mãe
quando esta passava a roupa a ferro com um ferro de ferro e que levava brasas lá
dentro. A Menina ali se equilibrava e a minha Mãe – na altura
muito alta – poucos movimentos fazia para não a
perturbar. A não ser de vez em quando, quando ela tinha que reabastecer o ferro
de brasas.
Não me
lembro o que aconteceu com esses gatos (ver se pergunto à
minha Mãe ou à minha irmã), quando alguns meses
depois nos mudámos para a casa onde os meus pais ainda hoje estão. Os
gatos devem ter ficado na quinta onde os meus avós
estavam.
Não
voltámos a ter gatos em casa nos 15 anos seguintes. Por lá
apenas passaram periquitos, frangos, galinhas, gansos pequenos, coelhos e até uma
gaivota que recuperámos de uma ferida numa asa –
quais ambientalistas dos anos 70 – e soltámos
mais tarde na maré, depois de ela fazer um estágio
na banheira.
Mas, voltando aos gatos:
nos idos de 80 tivemos uma gata (que antes de ser gata, pensávamos
ser gato e demos-lhe o nome de Adonis) a quem acabaríamos
por chamar Doninhas. A minha Mãe adorava fazer-lhe
judiarias e a gata gostava de nos observar do alto dos móveis
ou dos armários da cozinha, em especial quando havia visitas em casa.
Um dia, a minha Mãe – que bordava
“para fora” –
recebeu umas senhoras, acopladas com os respectivos filhos pequenos e que
gostavam de puxar os rabos aos gatos. Enquanto as donas visitas faziam aquilo
que mais gostavam, que era “dar à língua”, a
gata deve ter levado um puxão de rabo ou sentido ciúmes
com a miudagem, e vai daí abandonou a sua habitual
serenidade, assanha-se e salta de debaixo de um divã em
direcção a um dos miúdos, qual felino na selva a
atacar a sua presa, quando a minha Mãe,
entre dois ou três monossílabos para as donas visitas
que não paravam de parlar, se meteu entre o miúdo e
a gata. Resultado: a gata agarrou-se com quantas garras e dentes tinha ao braço direito
da minha Mãe e só o largou depois de levar com o cavalo de baloiço de
madeira da minha irmã mais nova.
Quando cheguei
a casa, vindo da escola, ainda cheguei a tempo de ver o corredor e os móveis
ensanguentados como nas séries de televisão
sobre crimes. Conclusão: a minha Mãe
andou seis meses em tratamento na Misericórdia,
a gata serenou e por ali ficou como se não
fosse nada com ela, e um dia mais tarde foi levada para um terreno que os meus
pais tinham em Azeitão. Não me
lembro depois o que lhe aconteceu, e também não me
apetece perguntar à minha Mãe…
Nunca mais tivemos gatos em
casa. Durante muitos anos, alimentámos
dezenas deles no tal terreno, e não sei
como é que o meu Pai tinha paciência
para fazer 30 km dia sim dia não para levar tachadas de
comida aos gatos, que na sua maioria eram selvagens, à
excepção de um – o Risquinhas – que era
um meloso e tinha uma empatia especial com o cão que
lá tínhamos, o Romy.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
HÁ 10 ANOS QUE ESTOU NA BLOGOSFERA
Hoje, 16 de Fevereiro de 2016, assinalo 10 anos de blogues. Tudo começou na noite do dia 16 de Fevereiro de 2006 quando, estando de serviço ao fecho da edição no Expresso, recebi um e-mail da psicóloga Teresa Paula Marques a divulgar o blog que acabara de criar. Com a sua boa influência, decidi que era nessa mesma noite que entraria na blogosfera: e assim foi! Com as dicas que a Teresa Paula Marques me deu, criei o 'Abralas' num site brasileiro limitado. Tão limitado que dentro de poucos meses, o blogue estava cheio e não me deixava postar mais nada. Criei, então, um 'Vislumbrando' no mesmo site. O objectivo era mostrar aquilo que eu gostava de fazer: textos, pensamentos, críticas e fotos (na altura poucas).
Mas em Setembro de 2006 decidi avançar de uma vez por todas para o blogspot e criei o 'Fundamentalidades', com dois complementos: 'Comportamentalidades' e 'Privacidades'. Duraram até Fevereiro de 2007, quando o google me bloqueou o e-mail e o blog, ainda hoje não sei porquê. Imediatamente, criei o 'Fundamentalidades-2' e desdobrei-o por outros blogues mais temáticos: 'Uma história por dia', 'Uma foto por dia' e o 'In-discreto'. Com um aumento exponencial de audiência (chegou a 400-500 visitas diárias), este blog sobreviveu até Novembro de 2008, quando alguém me fez o favor de o sabotar (dois anos depois acabei por descobrir quem o tinha feito).
Em Dezembro de 2008 sentei-me finalmente n 'O Meu Sofá Amarelo', que se mantém até hoje e que vou reactivar de uma vez por todas. A ele associado, o 'Gestualidades'. Ainda criei outros blogues, mas alguns não posso revelar por causa da temática que tinham e outros estão criados à espera de um dia aparecerem, se for caso disso.
A entrada no Facebook em 2010-2011 veio alterar a minha relação com os blogues, em especial mais recentemente. E é isso mesmo que pretendo alterar a partir de hoje, anunciando o regresso aos blogues. Por enquanto, ainda sentado n'O Meu Sofá Amarelo'... com a máxima: "menos Facebook e mais blogues"!
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