quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O 'QUERIDO MÊS DE AGOSTO' VAI VOLTAR, MAS NÃO NECESSARIAMENTE EM AGOSTO


Era a época do ano mais esperada. Ansiada por miúdos e graúdos. A vinda do tio de França por três semanas em Agosto era o ponto alto dos quatro meses de férias de Verão, quiçá do ano inteiro. O tio aparecia quase sempre com um carro novo, grande, de marca genuinamente francesa, Peugeot ou Renault. Quando chegava, comprava gelados para todos, metia a sobrinhada toda dentro do carro, bagageira incluída, e levava os miúdos a sítios onde os pais geralmente não tinha possibilidade ou oportunidade para os levar. Naquele tempo havia trabalho e os pais trabalhavam 12 ou 14 horas por dia, não tinham tempo nem imaginação para pegarem nos filhos e os levarem à praia, ao campo, a museus e afins.
Com o tempo, o mês de Agosto foi perdendo importância: de "querido mês de Agosto" tornou-se somente num bom mês para desopilar. As pessoas por cá já não precisavam de trabalhar tantas horas por dia, começaram a dar importância ao lazer e aos tempos livres, e já não era preciso vir o tio de França para levar os miúdos - agora já adolescentes - à praia ou a outros sítios. Os carros das pessoas de cá começaram a competir em termos de tamanho e de potência com os carros trazidos pelo tio de França, e pouco depois pelos primos de França. 
O tio de França também deixou de comprar gelados para os sobrinhos. De quando em vez lá convidava para um jantar ou uma sardinhada. E não vinha necessariamente em Agosto: Maio, Junho ou Julho, passaram a ser meses em que o tio de França tirava uns dias dos netos e vinha para cá, semear umas alfaces, apanhar uma prainha, degustar um peixinho assado...
Com a emigração a crescer outra vez em Portugal na 2ª década do séc. XXI, poderá haver uma reedição do "querido mês de Agosto", mas não necessariamente em Agosto! Mas o que nunca mais vai voltar de certeza é a alegria, a ansiedade e a expectativa de estar à espera do... tio de França!

2 comentários:

Mulher disse...

Bom dia.
Eu nem sei se tenho pena de nunca ter tido um tio em frança, nem familia de emigrantes!
Mas penso ter percebido bem este post.
Dia bom, beijinhos.

lino disse...

Não estou tão certo de que não volte a haver tal ansiedade, desta vez não apenas dos vindos da França!
Abraço