quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

ELA ESTAVA AFLITA DO OUTRO LADO DO TELEMÓVEL...

Quando ele atendeu o telemóvel ouviu-a ofegante do outro lado. Ela articulava umas palavras quase imperceptíveis num tom de voz desarticulado e sonorizado. À primeira vista (neste caso, ao primeiro ouvido!) até lhe pareceu que a estariam a assaltar... ficou preocupado... mas logo percebeu que não era isso!

Ela requisitava a presença dele em casa dela com a maior brevidade possível! Ela gritava, gesticulava (quer dizer, ele não via, mas adivinhava), esperneava (idem do entre parêntesis anterior), e, apesar de ele estar no outro lado da cidade, não viu outra solução senão meter-se ao caminho e ir ver o que se passava... aliás, começava a ficar preocupadíssimo que a namorada pudesse estar a ter um princípio de um qualquer ataque... o que notou ao telemóvel é que realmente ela não estava bem...

Era manhã, estava frio, nevoeiro, o dia mal raiara ainda mas ele teve que vir para a rua a correr... envergou a roupa que tinha à mão, deslizou até ao carro e fez uma maratona pelas ruas e ruelas da cidade. No ouvido levava o auricular do telemóvel pois sabia que ela iria voltar a ligar a qualquer momento... e assim foi: nada estava resolvido ainda em casa dela, os gritos continuavam e ele sentia-se cada vez mais impotente para a poder socorrer... De repente ela serenou, ele deixou de ouvir qualquer ruído e a chamada caíu ou ela desligou!

Chegou ao quarteirão dela, subiu a rua, deixou o carro estacionado em 3.ª fila, correu para a porta da rua, tinha a chave (namorada que se preze dá pelo menos a chave da porta do prédio ao namorado!), não esperou pelo elevador, subiu as escadas três a três degraus, chegou lá acima com os bofes de fora, bateu à porta pois já nem tinha forças para tocar a campainha... imaginava todos os cenários possíveis, nestes casos sempre os piores.

Mas eis que ela abriu a porta e ele entrou disparado no corredor da casa. Pasmou-se com o ar sereno da cara dela... parecia que estava tudo bem... mas afinal o que se tinha passado para tanto alarido?, ele inquiriu ainda com a respiração ofegante! «Ah!», disse ela, «não conseguia apertar o colchete do soutien... mas entretanto consegui... depois de muito esforço... escusavas de ter vindo!»

7 comentários:

Marta disse...

Boa!!!
Por esta é que eu não esperava...
Obrigada pela visita...
Ainda bem que gostaste do meu comentário ao teu poema - obrigada eu....
Beijos e abraços
Marta

Andreia disse...

Olá!

Finalmente cheguei aqui!;)

tulipa disse...

Pelo Mundo fala-se na crise de valores e ideias.
Pudera! Só dão importância a mesquinhices...

Com o Natal à porta, os meus votos são:
Que nunca cesses de encontrar novas possibilidades na vida e em ti próprio.
Que mantenhas dentro de ti uma Paz que nada possa destruir.
Que o ano 2009 seja tal como desejas.
Beijos.

Hoje é daqueles dias em que o sol devia entrar pela janela da casa e levar a hipocrisia que fustiga muitas almas...

SÓ TU, AMIGO
para nos contares uma história cheia de bom humor!!!Obrigado.

tulipa disse...

Aprovadíssima a música escolhida:

"SHE"

Adoro esta música!!!

Obrigado pela partilha.

Anónimo disse...

ah...boa!Namorado que se preze sabe entrar em casa no momento certo!!!E ela sabe disso.Lindo.

Sol da meia noite disse...

Parece-me que a namoradinha aqui da história quis testar a resistência do coração do namorado.
Vá-se lá saber se ela não encenou tudo isto para ver se tinha homem à altura...

Menina do Rio disse...

No comments...

A força do pensamento

A minha sugestão para estes tempos é:
Vamos doar-nos mais e diminuir o individualismo!
Que tal, um pouco mais de atenção aos filhos, aos
companheiros(as), aos almoços de domingo, menos
eu e mais "nós"?
Prega-se tanto amor, mas cada um só vê o seu
desamor; todos correndo numa busca louca de ter,
que acabamos por esquecer-nos de "ser".
Já viram um Maracanã lotado em dia de clássico?
Existe no futebol o chamado "inconsciente coletivo"
Esse "inconsciente" é capaz de virar um jogo!
Então imaginem 10 mil Maracanãs cheios! E o inconsciente
coletivo dessa torcida toda; uns pelos outros!
Não só em tempos natalinos, mas em todos os dias
de nossas vidas! Se é verdade que a FÉ move montanhas,
então imaginem do que somos capazes se direcionarmos
nosso "inconsciente coletivo" uns aos outros; se
"crermos" e agirmos conforme essa crença.
Podemos fazer a diferença...

Esses são os meus votos de Natal!
beijinhos
(Verô)


"Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo;
todos são parte do continente." (John Donne)