sexta-feira, 4 de março de 2011

Tragédia de Entre-os-Rios: quando Portugal não foi mais que um país do 4º mundo!

Na última semana de Fevereiro de 2001 passei vários dias em reportagem na fábrica dos móveis CERNE, situada em Castelo de Paiva, e passei algumas vezes pela dita ponte de Entre-os-Rios, que se tornaria celebérrima pelos piores motivos. Alguns dias depois aconteceria aquilo a que todo o país assistiu incrédulo: para mim - e com todo o respeito pela memória das vítimas - a queda daquela ponte sobre o Douro representou simbolicamente o princípio do desmoronamento de um regime político, económico, social, cultural e patrimonial que - 10 anos depois - atinge o seu auge! Não é por acaso que o Presidente da República nos idos de 2001, Jorge Sampaio, referiu ontem várias vezes que "Portugal está em apuros!". Eu rectificaria só que "parte de Portugal está em apuros", ou por outras palavras, "a maioria dos portugueses está ou vai ficar em verdadeiros apuros", o que vai ser traduzido muito em breve no aumento das prestações com a habitação em 15% e nos índices que desemprego que, como O Meu Sofá Amarelo previu em Dezembro passado, deverão atingir os 15% no final de 2011. Isto, o desemprego declarado porque depois há o desemprego camuflado, o desemprego envergonhado e... os estágios, agora pedra de toque de um governo cada vez mais desgovernado.
E tudo começou - em primeiro lugar infelizmente para as 59 pessoas que morreram e seus familiares - na noite do dia 4 de Março de 2001: Portugal hoje já nem é uma jangada de pedra, é um qualquer pedaço de tronco de árvore tosco à deriva num oceano de mágoas!

4 comentários:

Justine disse...

Infelizmente é uma forte metáfora do que está a passar-se neste país desgovernado, maltratado, traído!

Marta disse...

Sim, um país triste, maltratado, humilhado.....
Bom texto, como sempre....
Beijos e abraços
Marta

Filoxera disse...

Lamentável...
:-(
Beijos.

Ana disse...

Foi uma grande tragédia, esperemos que as autoridades tenham "aberto os olhos" e que não se volte a passar semelhante coisa em mais nenhuma ponte!
Que acabem com a politica de construir desenfreadamente e que comecem a preservar o que já está feito.
Beijinhos