quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O ORÇAMENTO DO LEITE COM CHOCOLATE!

O Orçamento de Estado, que pode ou não vir a ser aprovado, vai passar a taxa de IVA sobre o leite achocolatado de 6% para 23%. Este tem sido um dos pontos mais abordados nas negociações entre o Partido que apresenta o Orçamento (como se sabe, o PS - Partido Selvagem, de extrema direita) e o Partido que contesta o Orçamento (PSD - Partido da Sensibilidade Desentendida, de quase extrema esquerda). 

Pelo meio aparecem pormenores menos importantes, tais como a redução de salários na Função Pública (filosofia que os privados irão seguir também a seu tempo!), o aumento dos impostos, a redução dos benefícios fiscais, os (des)apoios sociais, os cortes na educação, na saúde e na justiça (ao contrário de Inglaterra, por exemplo, que cortou em muita coisa mas não nestas três áreas!), e por aí fora.
Mas, para mim, aquilo que mais me atinge é realmente o aumento da taxa do IVA sobre o leite achocolatado. O resto pouco me importa e não vai pesar no orçamento familiar porque também já não consumo... agora o leite achocolatado não, não me podem fazer isso, até porque 90% do meu orçamento familiar vai para gastos com o leite com chocolate.

Acho que vou ter que passar a beber o leite não com  chocolate mas com água... e já agora, porque também tem a ver com os (des)orçamentos: sabeides que as Águas de Portugal, organismo que pertence ao Ministério do Ambiente e que fica sedeado bem no centro de Lisboa, ali com tudo quanto é transporte ao pé (Metro, Carris, CP, Fertagus, até quase a TAP) subsidia os funcionários em combustível para as viaturas (e quantas vezes as próprias viaturas) e não subsidia os passes sociais? Pois, deve haver muita água por ali metida e em especial muitas pontes por baixo das quais essa água corre...

(... no caso do OE2011, na proposta do Governo, estão pouco menos de 178 mil milhões de euros, tanto do lado das despesas como das receitas - bate certo, mas é só uma aparência de equilíbrio, aliás é uma quase convenção contabilística, pois o desequilíbrio é gritante e advém de o País não gerar receitas para financiar as actividades do Estado, incluindo as que exigimos e as que dispensaríamos - e como não geramos receitas suficientes, pedimos emprestado o que falta para fazer face ao que gastamos, ou seja, aumentamos o défice...) - Contribuição fundamental de Argumentonio - VER COMENTÁRIOS

10 comentários:

Joana disse...

Hahaha... Amei os novos nomes do PS e do PSD. :D

Também não percebo muitos dos gastos do governo. Aliás, acho que muitos deles nem eles sabem o porquê. Enfim...

Beijinhos

Argumentonio disse...

meu caro Sofá: é evidente que a brincar acedemos muitas vezes a uma compreensão melhor que através da análise mais científica

ainda assim, há que partir de uma base mínima de entendimento factual, para extrair maior proveito da abordagem, à séria ou a reinar

ó vejemos: a redução salarial da função pública é que é uma imitação, moderada e tardia, dos cortes a que o sector privado tem estado sujeito de há 2 anos para cá, ora em fecho de empresas (corte de 100%, com rigor à décima) ora em programas temporários (cá em casa vai para um ano e meio disso) ou definitivos de diminuição dos vencimentos, seja de ordenados propriamente ditos, seja de valores complementares como remuneração por horas extra, subsídios e benefícios vários, fecho de creches e refeitórios, razia nas regalias e comparticipações ou qualquer outra forma de moderar significativamente as despesas de pessoal suportadas pelas empresas - o sector público não fez quando devia fazer e começa agora a contribuir para moderar o desequilíbrio

com efeito, um orçamento equilibra-se prevendo muito prosaicamente montantes iguais para as despesas (com as actividades a realizar) e para as receitas (com os serviços prestados, produtos vendidos, taxas e impostos cobrados) de modo a assegurar o financiamento do que se pretende realizar e despender

no caso do OE2011, na proposta do Governo, estão pouco menos de 178 mil milhões de euros, tanto do lado das despesas como das receitas - bate certo, mas é só uma aparência de equilíbrio, aliás é uma quase convenção contabilística, pois o desequilíbrio é gritante e advém de o País não gerar receitas para financiar as actividades do Estado, incluindo as que exigimos e as que dispensaríamos - e como não geramos receitas suficientes, pedimos emprestado o que falta para fazer face ao que gastamos, ou seja, aumentamos o défice

vejamos só mais um pouco: dos tais 178 mil milhões de euros de receitas, temos 10 mil milhões do nosso bolso via IRS - e, importa dizê-lo, 4 mil milhões de IRC, menos de metade, quer dizer, o empresariado português faz as coisas de maneira a não pagar impostos, a maior parte das empresas não paga um chavo de imposto, não dá lucro, dá sempre prejuízo - este é um problema que não se resolve com orçamento, é um caso de polícia, nas nossas barbas, à nossa custa e com a nossa conivência

depois há o IVA, pouco mais de 13 mil milhões, mais os impostos mixurucas e as multas nem tão mixurucas assim

falta muito para o equilíbrio, mesmo muito: 140 mil milhões é dívida, dos quais 100 mil milhões de curto prazo, caríssima

e agora compreendemos melhor as despesas, os mesmo 177 mil milhões de euros: 123 mil milhões são para pagar o serviço da dívida, ou seja, devolver o dinheiro emprestado e respectivos juros - é estruturalmente incompreensível, só os países em bancarrota deixam de pagar a dívida, às vezes tem que ser, deixam é de ter quem lhes empreste mais e passam a viver forçadamente no limite das suas possibilidades, isto é, mal

a parte gerível - ministérios, institutos, administração local e regional, etc, é afinal uma pequena parte, sendo que grande fatia é custos com pessoal, também incompreensível - a menos que se reduzam os salários

estamos a ver o filme?

é como em nossa casa: se não há, corta-se

é a vida

;_)))

mulher disse...

Bom dia.
Muito bem, gostei imenso deste post,tb pk me fez rir á gargalhada,verdades escritas com humor.Bjintos.

Virgínia do Carmo disse...

De facto o nosso país, ultimamente, é só rir!
Beijinhos!!

lino disse...

Com tanta tristeza haja pelo menos algum humor.
Abraço

Marta disse...

Uma crítica bem humorada e a pergunta fica: o que é que vamos cortar mais???
Boa crítica, Alex...
Gostei imenso...
Beijos e abraços
Marta

Vieira Calado disse...

Pedimos nós...

como quem pede à porta duma igreja.

E lá está, por detrás

quem fica com a massa...

Saudações minhas

Justine disse...

É um cansaço enorme, uma raiva gritada, uma revolta activa perante a destruição sistemática do país, há um ror de anos, por esse PS que tu tão bem classificas...
Vamos pará-los???

Ana disse...

Texto muito bom!!
Isto só está mesmo para rir, porque parece-me que o governo anda a fazer uma cena "à apanhados" com o país inteiro...
Beijinhos

Fernando Vasconcelos disse...

Sabe o que é mais triste? Onde estão os jornalistas que deveriam procurar explicar-nos o que está efectivamente em causa? Onde está a comunicação social para nos explicar as escolhas? Onde estão os analistas económicos que só sabem falar da novela que eles próprios criam sem explicar que os sacrifícios são inevitáveis e que só podem ser feitos de duas formas - há que escolher qual ... e em que áreas se corta e mais nada? Onde estão esses que têm por responsabilidade informar e preferem alinhar na criação de ficção? Não a culpa da crise não é deles mas a culpa da nossa desinformação essa por mais que se desculpem com o pseudo interesse jornalístico metáfora (ou eufemismo) para um mercantilismo barato - essa é inteiramente deles e sobretudo dos seus excelsos directores de informação. Porque o seu leite com chocolate está lá no orçamento como estão dezenas de outras opções bem mais graves. E de quem é a culpa da escolha desse tema? Será que estava a bold no texto? Ou será antes que foi o facilitismo jornalístico? O folclore, a novela politica até existiu mas para haver novela tem de haver actores (que os houve) e produção - e a essa exijo mais, muito mais. É um dos pilares da democracia e não se está a comportar à altura. Tão grave como a dos outros, ou pior ainda. Porque para os outros dependemos da informação para a vontade de mudar. Nos jornalistas infelizmente não votamos. Claro que também somos culpados, porque se em vez de comprarmos as baboseiras comprássemos a informação a sério talvez não se tivesse chegado a isto, mas essas já são contas de outro rosário.